sábado, 3 de janeiro de 2015

Se essa história fosse minha

Se essa história, se essa história fosse minha,
Eu mandava, eu mandava fabular;
Com tantas linhas e letrinhas de brilhantes,
Para o meu tão grande amor romancear.
Nessa história – e que história! – tem um bosque,
Que se chama... não, chamava, solidão;
Neste bosque, hoje em dia é que tem anjos,
Eles guardam e me alegram o coração.
Seeu Te entreguei, meu Amor, meu coração,
É porque, é porque me queres bem;
Te dei minh’alma, pra fazer nova canção
E me ensinares a querer a Ti também!

Se uma história é para ser escrita ou vivida, quem é que sabe?
Se ela é pra ser vivida e depois escrevida...
Se crês, vida eterna encontrarás e tuas linhas serão retas.
Não mais entortarás;
Entrega o teu rascunho para Aquele que faz só obra prima.
Deixe os manuscritos cheios de garranchos e erros de sintaxe (os ortográficos nem são tão graves) para O calígrafo de melhor destra com estilística perfeita;

Se essa história fosse minha... eu não mandava... eu me entregava pra valer!

terça-feira, 20 de março de 2012

Paisagem

ou tô no céu claro
ou tô no ventinho suave
ou tô no chão de folhas secas
ou tô no visual melancólico
ou tô no chuvisqueiro em dia de sol
ou tô no casaquinho de linho ou de lã
ou tô no chimarrão ao fim da tarde
ou tô no fim de tarde de outono.

Céu claro
ventinho suave
chão de folhas secas
visual melancólico
chuvisqueiro em dia de sol
casaquinho de linho ou de lã
chimarrão ao fim da tarde
fim de tarde de outono
ou tô no início do
outono
ou
no
fim do verão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Procuro-me

Vendo ourooooo;
compro retalhos coloridos, troco figurinhas pintadas à mão
e dou batidas do meu coração;
aceito olhares brilhantes de presente.

Faço flerte;
Concerto ao ar livre, traduzo beijos "linguísticos"
e desbloqueio aparelhos cardíacos;
quebro galhos secos para fogueiras à noite.

Diária(mente);
lavo, passeio, cozinho, danço com a vassoura
e o luxo, como o lixo, jogo fora;
diarista dia-mista dia-a-dia diamante... faxinante.

caixeira-viajante;
levo sonhos, entrego olhares, encomendo futuros imaginários
conto causos, carneirinhos e as estrelas
sei ler, escrever e fazer de conta.

menina-mulher sonhando ser mãe;
remendo feridas e prego botões,
pinto bolinhas de sabão
semeio o trigo que cheira a pão (com manteiga)!


NOTA: Hoje, 09/02/2012, "desengavetei" meio ao caso este texto que comecei a pouco mais de um ano, faltavam as duas últimas estrofes e parte da terceira, quer dizer, fiz metade em cada ano. Existe, porém uma grande diferença entre estes dois momentos: a existência de Deus na minha vida.
Lá em 2011 eu nem morava em Garopaba ainda, acabara de viver uma grande decepção e buscava a mim mesma, estes versos significavam socorro; aqui em 2012, estou vivendo as vitórias que o Pai me prometeu quando entreguei meu coração a Ele e mesmo que em meio a uma potencial decepção, sigo forte (Nele) e focada na Grande Vitória, então estes versos passam a significar uma essência de ser eu apenas uma sonhadora e arteira... só um pouco de mim para RECOMEÇAR!


NA FASE DO IR: indo!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O corpo

Meu corpo dança o teu corpo dança o meu assim dançamos tantos corpos que dançam os nossos.

dançar(mo-nos)

O som do teu corpo vibra no meu e assim vibramos o mundo aos passos do dançar a vida que dança conosco o ritmo da respiração.

respira o corpo - inspira~expira

Inspirado espiral do teu corpo no meu e tantos corpos no teu, são teus e são meus, os nossos tantos corpos que se chocam e absorvem e colidem e coagem e pausa e... viagem.

Joga no meu os corpos do teu e toma o meu corpo para a tua dança e me deixa sentir-te desde criança a alma do teu corpo e as almas do teu espiral e sejamos dois com tantos nesta dança espiritual.

Dancemos ao som mudo mundo e seus barulhos, seus ruídos e quando essa música e a dança acabarem, terei amado o meu corpo que terá amado os teus.

domingo, 31 de outubro de 2010

Faxina

Arredar os móveis
limpar os cantos
Deixar o lixo na rua para o lixeiro levar.

chorar;

lavar;

Encher baldes de água
com pinho ou sabão
tirar o pó, lavar o chão, esfregar.

soluçar;

organizar;

arrumar a cama
trocar os lençóis
lavar a louça, limpar o banheiro.

lamentar;

arejar;

As janelas abertas
um incenso queimando
recolher roupas do varal, guardar no roupeiro.

superar;

descansar;

Em uma semana o pó toma conta.
Em sete dias outro nó na garganta.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ser gato em três atos.

Balaio de gatos.
São meia dúzia pingados,
e listrados, e tigrados, e brazinos.
Garras afiadas a lixa e esmalte,
meias desfiadas (arranhões nas coxas).
Eu roxa... num banho felino.

Telhados pros gatos.
Eles sem as botas e eu de saltos,
nos muros, nas praças, nas latas de lixo.
No limiar do manhar só debalde,
serenatas noturnas (pra lua).
Eu nua... em pele de bicho.

Água fervida nos gatos.
daí o terror do escaldado,
fuga aos pulos, correria de bichanos.
Pêlos eriçados, um inimigo que late,
e finda-se a farra felina (a boemia).
Eu ria... de volta aos meus panos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Luz


Saca a rolha?
bolha de sabão
folhas para o outono
colha meu chão
molha meu céu
tolha meu sono
olha teus olhos
vôlhe voar
golhe de réu
pôlha sem relhos
dôlha a quem doar...

língua que enrola a luz que atravessa a cor,
transparente embriaguez:
Vilho na garrafa.

ai dia seguinte, siga...

Vindos